"Por viver muitos anos dentro do mato Moda ave O menino pegou um olhar de pássaro - Contraiu visão fontana. Por forma que ele enxergava as coisas Por igual como os pássaros enxergam." (Manoel de Barros)
quarta-feira, 30 de junho de 2021
quinta-feira, 27 de maio de 2021
quarta-feira, 26 de maio de 2021
SEMANA DO BRINCAR
"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis sem valor para a formação do homem."
- Carlos Drummond de Andrade
Ao brincar a criança desenvolve-se por inteiro, vive em maior e melhor intensidade, aprende sobre o mundo que a cerca. Na brincadeira a criança é livre para ser quem é, e desenvolve integralmente todos os seus saberes. Assim sendo, nossa escola proporciona sempre novas oportunidades de aprender através do brincar. Nessa semana convidamos a todos para viver experiências do brincar, venham curtir essa aventura na calçada de nossa escola!
A docência sob um só
Mariana S. Campos
A
escola se encontra vazia, mesmo aberta e mesmo recebendo crianças. Estamos
vivendo um momento terrível e assustador, que colocou o planeta todo sob a
mesma perspectiva: a de perdermos seres humanos para uma doença nefasta. Mas
essa nova realidade trouxe à tona realidades que já observamos, mas poucos
agiam sobre. Vivemos uma crise na educação e uma crise social, que existe há
anos, mas nunca esteve assim tão escancarada para toda a sociedade.
Nós
professoras vivemos essa realidade há anos dentro dos muros das escolas, vemos
como a pobreza, a fome, o descaso e invisibilidade afetam na vida e, portanto, o
aprendizado de nossas crianças. Vivemos em meio a casos de violência física e
social que estas crianças vivem desde o nascimento, vivências essas que causam
marcas definitivas e dolorosas e que jogam nossas crianças e jovens cada vez
mais às margens da sociedade. Dentro dos muros da escola nós vemos essa
realidade escancarada, e buscamos das formas que nos são possíveis suprir essas
carências emocionais, intelectuais e físicas dessas crianças.
A
pandemia apenas gritou esse quadro para mais pessoas, fez propaganda da fome e
do descaso e, mesmo de maneira agressiva e incompreensiva, mostrou como a
escola é importante. Infelizmente em nosso país a escola e todos aqueles que
trabalham nela só passaram a ser mais atacados, mais desvalorizados. Mais uma
vez carregando culpas que nos lhes cabem. O medo dos outros aparentemente não
pode aplicar-se a nós, temos que novamente dar nossas caras a tapa e
enfrentarmos tudo como se não fossemos seres humanos. Assim reabrimos as
escolas: sem vacinas, sem suporte, com medo por nós e pelos nossos e, como
sempre, não sendo importantes. Mas essa abertura não demonstrou descaso apenas
com funcionários, foi principalmente com as crianças e com a escola como
instituição. Esse desejo e anseio de ter as escolas abertas em momento que
morrem mais de 1000 pessoas por dia em nosso país demonstram como a escola tem
sido visto há anos: nada mais somos que um depósito de crianças. Temos ouvido
das famílias que de nada adianta a eles a escola atendendo as crianças uma vez
por semana (seja pais que trabalham ou não), temos ouvido como as famílias
querem as crianças integralmente todos os dias na escola, pois não aguentam
mais coabitar com suas crianças. E ouvir isso mais uma vez nos sangra, pois
enxergamos como nós e escola e vista pela sociedade, mais uma vez nossa função
é distorcida apenas ao cuidado e a recreação dessas crianças.
E
assim reabrimos e recebemos essas crianças: que estão claramente agitadas com a
situação, que sentem falta da escola como ela era. Não estão se concentrando na
rotina da escola (pois não existe uma forma de oferecer solidez nesse momento).
As crianças estão carentes de abraços, querem nos ver sem máscaras, querem que
acalentemos o choro delas; e nós também sentimos falta desse contato, de ver os
sorrisos e, principalmente, de nos sentirmos seguros ao partilharmos esses
momentos com eles.
Hoje
me encontro aqui, tentando fazer meu diário de bordo com algum otimismo,
buscando relatar como tem sido essas últimas semanas e só me vem à cabeça como
tem sido vazio. Essa semana tive contato com apenas 1 criança da minha turma de
22. Por um lado, passamos a conseguir ouvir e trabalhar mais com o que aquela
criança precisa, mas por outro vemos como é depressiva a aprendizagem sem a
interação entre pares e como nosso trabalho se faz tão árduo como quando
estamos em salas superlotadas.
Assim
finalizo meus pensamentos desejando que essa pandemia passe sem mais perdas e
que, um dia, nosso país possa se curar dessa doença chamada descaso, que vem
afetando nossas escolas e, portanto, nossa sociedade.
quarta-feira, 12 de maio de 2021
sexta-feira, 12 de março de 2021
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Letramento Na Educação Infantil
O Jardim é uma fase muito importante e
especial na vida da criança . É uma etapa de muito aprendizado, que precisa ser
valorizada.
Vivemos
em um mundo letrado e desde muito pequenas, as crianças, que estão inseridas neste
contexto, se interessam pela escrita de várias formas. Por exemplo, no teclado
do celular, nas embalagens de seus alimentos favoritos, nas escritas das
gôndolas dos supermercados, etc.
E qual
o papel do adulto nessa fase? Seja professor ou pais?
É o de
estimular e aguçar as crianças a reconhecerem a função social da escrita e da
leitura, através de situações cotidianas e que tenham significado para elas. O nome disso é
letramento.
E de
que forma podemos contribuir para isso? Seguem alguns exemplos:
-Durante o preparo de uma refeição, por
exemplo, peça para a criança te ajudar a pegar alimentos e incentive-a a
observar as imagens, os rótulos, etc.
-Faça leitura de diversos géneros textuais
para as crianças, como: livros, receitas, cartas, gibis, folhetos de
supermercados, etc. Dessa forma, aguçamos o gosto e o interesse pela leitura.
- Incentive a criança a criar
histórias e depois digite ou escreva essa história no papel. Nessa fase, nós
adultos, somos os “escribas" das crianças.
Essa atitude valoriza a experiência dela e consequentemente seu gosto
pela leitura e escrita.
-Durante um passeio, peça para
a criança observar as placas de trânsito,
os letreiros dos ônibus, outdoors,
etc.
-Possibilitem o contato com
moedas e notas de dinheiro.
Esses são apenas alguns
exemplos de práticas de letramento na educação infantil . É preciso
possibilitar e valorizar as experiências
do cotid
iano das crianças e permitir que elas "leiam e escrevam o mundo" , antes de colocá- las no papel
propriamente dito.
Escrito
por ProfªBete
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Retornamos
o trabalho presencial na escola.
Mas
não consigo me encontrar. Ou melhor: me reencontrar.
A
professora que saiu dali um dia. Com medo. Com tristeza. Com angústia e muita
insegurança.
A
morte paira todos os ambientes e é como uma sombra. Onde estou, ela está. Tão
presente que quase consigo ver seu rosto, sua face em cada notícia. Cada morte.
Importa.
Vontade
de dizer: Mostre de vez sua cara e me leve logo! Não aguento mais ter que aguentar!
Cansada de estar. Ver tudo e não poder fazer. Colocar as mãos. Sentir cada
abraço. Cada sorriso, cada conquista. Nada.
Ela
nos afastou tanto que coube somente a frieza das telas que nós cobrem. Tela de
TV. Tela de computador. Tela de celular... Tela!
Minha mãe sempre usava telas para proteger as
coisas de comer em casa. Telas transparentes feitas de seda, com penduricalhos.
Lembrança boa. Mas o melhor mesmo estava embaixo. Escondido e era, na maioria
das vezes doce! O sentir!
Mas
as telas tristes de nossas vidas são frias! São aquelas que também cobrem
nossos mortos. Tantos são eles que nem puderam ser vistos. Tules com
buraquinhos pequenos e apertados. Na face pálida e fria. Pálida e fria deve ser
sua face! Sem oxigênio. Sem vida. Um pouco com máscara asfixia, você também
sente? Ou ainda sente?
Por
aqui, na escola eu estou, mas não estou. Tento existir, apesar de tantos sem
oxigênio.
Nosso
oxigênio aqui são as crianças. Sim. Elas são o sentido do nosso existir no chão
da escola.
Nosso
ser colo. Ser abraço. Ser braços, colos, olhos, ouvidos e pernas, todos
multiplicados!
Não
existe ser, sem ser toque. Sem ser aconchego em educação infantil. É o mesmo
que querer existir sem oxigênio.
Quando
falo colo é colo mesmo!
No
sentido literal da palavra. Crianças são crianças. Se espalham por todos os
cantos. Ocupam todos os espaços e constroem. Permitindo o existir. Assim como o
oxigênio.
“Desenparedando”
seus saberes e aprendizagens em produções fantásticas. Sendo cor, sabor,
cheiro, texturas e sons.
Nossa
escola está pálida.
Entre
tantas tentativas de pensar em ter eles aqui de forma completa, organizar a
sala, mas não construir. Somente organizar, higienizar e ficar “clean”. Hoje
preciso ser “clean”. Na sala e até no respirar!
É
preciso deixar ventilar. Abrir e disponibilizar. Aos poucos. Com cuidado. Com
racionar!
Tentar
existir sendo clean.
Arrumando
nosso espaço “clean” encontrei uma forma de vida tão espetacular que até meus
músculos faciais não contiveram a máscara!
De
repente ele estava ali esperando ser encontrado!
Meus
olhos vibraram e minha boca soltou um grito!
Olhem
o que achei!
Um
boneco! As mãozinhas miúdas e maiores do mundo conseguiram fazer um formato tão
maravilhoso!
Foi
como encontrar vida em Marte!
Surgiram
vozes dentro da minha cabeçada: Olha! Fiz um super herói com poderes de voar,
andar... E diria com todo o prazer: de respirar e me salvar!
Que
alívio!
Aos
poucos me reencontrar!
Inspira! Respira e pede pra Deus ajudar!
Definitivamente não consigo, porque não quero
ser "clean"...
(Larissa Vitti Stenico)













