"Por viver muitos anos dentro do mato Moda ave O menino pegou um olhar de pássaro - Contraiu visão fontana. Por forma que ele enxergava as coisas Por igual como os pássaros enxergam." (Manoel de Barros)
quinta-feira, 27 de maio de 2021
quarta-feira, 26 de maio de 2021
SEMANA DO BRINCAR
"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis sem valor para a formação do homem."
- Carlos Drummond de Andrade
Ao brincar a criança desenvolve-se por inteiro, vive em maior e melhor intensidade, aprende sobre o mundo que a cerca. Na brincadeira a criança é livre para ser quem é, e desenvolve integralmente todos os seus saberes. Assim sendo, nossa escola proporciona sempre novas oportunidades de aprender através do brincar. Nessa semana convidamos a todos para viver experiências do brincar, venham curtir essa aventura na calçada de nossa escola!
A docência sob um só
Mariana S. Campos
A
escola se encontra vazia, mesmo aberta e mesmo recebendo crianças. Estamos
vivendo um momento terrível e assustador, que colocou o planeta todo sob a
mesma perspectiva: a de perdermos seres humanos para uma doença nefasta. Mas
essa nova realidade trouxe à tona realidades que já observamos, mas poucos
agiam sobre. Vivemos uma crise na educação e uma crise social, que existe há
anos, mas nunca esteve assim tão escancarada para toda a sociedade.
Nós
professoras vivemos essa realidade há anos dentro dos muros das escolas, vemos
como a pobreza, a fome, o descaso e invisibilidade afetam na vida e, portanto, o
aprendizado de nossas crianças. Vivemos em meio a casos de violência física e
social que estas crianças vivem desde o nascimento, vivências essas que causam
marcas definitivas e dolorosas e que jogam nossas crianças e jovens cada vez
mais às margens da sociedade. Dentro dos muros da escola nós vemos essa
realidade escancarada, e buscamos das formas que nos são possíveis suprir essas
carências emocionais, intelectuais e físicas dessas crianças.
A
pandemia apenas gritou esse quadro para mais pessoas, fez propaganda da fome e
do descaso e, mesmo de maneira agressiva e incompreensiva, mostrou como a
escola é importante. Infelizmente em nosso país a escola e todos aqueles que
trabalham nela só passaram a ser mais atacados, mais desvalorizados. Mais uma
vez carregando culpas que nos lhes cabem. O medo dos outros aparentemente não
pode aplicar-se a nós, temos que novamente dar nossas caras a tapa e
enfrentarmos tudo como se não fossemos seres humanos. Assim reabrimos as
escolas: sem vacinas, sem suporte, com medo por nós e pelos nossos e, como
sempre, não sendo importantes. Mas essa abertura não demonstrou descaso apenas
com funcionários, foi principalmente com as crianças e com a escola como
instituição. Esse desejo e anseio de ter as escolas abertas em momento que
morrem mais de 1000 pessoas por dia em nosso país demonstram como a escola tem
sido visto há anos: nada mais somos que um depósito de crianças. Temos ouvido
das famílias que de nada adianta a eles a escola atendendo as crianças uma vez
por semana (seja pais que trabalham ou não), temos ouvido como as famílias
querem as crianças integralmente todos os dias na escola, pois não aguentam
mais coabitar com suas crianças. E ouvir isso mais uma vez nos sangra, pois
enxergamos como nós e escola e vista pela sociedade, mais uma vez nossa função
é distorcida apenas ao cuidado e a recreação dessas crianças.
E
assim reabrimos e recebemos essas crianças: que estão claramente agitadas com a
situação, que sentem falta da escola como ela era. Não estão se concentrando na
rotina da escola (pois não existe uma forma de oferecer solidez nesse momento).
As crianças estão carentes de abraços, querem nos ver sem máscaras, querem que
acalentemos o choro delas; e nós também sentimos falta desse contato, de ver os
sorrisos e, principalmente, de nos sentirmos seguros ao partilharmos esses
momentos com eles.
Hoje
me encontro aqui, tentando fazer meu diário de bordo com algum otimismo,
buscando relatar como tem sido essas últimas semanas e só me vem à cabeça como
tem sido vazio. Essa semana tive contato com apenas 1 criança da minha turma de
22. Por um lado, passamos a conseguir ouvir e trabalhar mais com o que aquela
criança precisa, mas por outro vemos como é depressiva a aprendizagem sem a
interação entre pares e como nosso trabalho se faz tão árduo como quando
estamos em salas superlotadas.
Assim
finalizo meus pensamentos desejando que essa pandemia passe sem mais perdas e
que, um dia, nosso país possa se curar dessa doença chamada descaso, que vem
afetando nossas escolas e, portanto, nossa sociedade.
quarta-feira, 12 de maio de 2021







